Somos Noses

Somos Noses

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO!



RECEITA DE ANO NOVO


"Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido

(mal vivido talvez ou sem sentido)

para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;

novo até no coração das coisas menos percebidas

(a começar pelo seu interior)

novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,

mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha,

você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,

não precisa expedir nem receber mensagens

(planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar arrependido

pelas besteiras consumidas

nem parvamente acreditar

que por decreto de esperança

a partir de janeiro as coisas mudem

e seja tudo claridade, recompensa,

justiça entre os homens e as nações,

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,

direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo cochila

e espera desde sempre".


Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Onde está?

A Pergunta que não quer calar...

Onde está a Samantha??????

Indignação

Indignação...Povo brasileiro...mais uma vez aceitamos que façam piadas com nossa cara, que utilizem o nosso dinheiro para armar o "circo". Bradamos por que? Foram as nossas escolhas...agora temos que engolir as pessoas que colocamos no pedestal. ACORDA POVO.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

30 anos do Centro Comunitário Casa Mateus

Oi pessoal!

Hoje resolvi fazer um post diferente... quero fazer uma homenagem aos 30 anos do Centro Comunitário Casa Mateus.

Trata-se de uma ONG de Mauá-SP que atende por volta de 300 crianças e jovens de 7 a 15 anos em situação de vulnerabilidade social, oferecendo oficinas como canto-coral, flauta-doce, capoeira, informática, aprender a aprender e teatro.

Turma de Teatro 2008

" Nossa missão é promover junto à comunidade local o desenvolvimento de crianças, jovens e famílias em situação de risco social, estimulando e potencializando suas capacidades e dons para o pleno exercício da cidadania."

Equipe 2008



Parte da Equipe 2010

Parabéns CASA MATEUS pelo belo trabalho desenvolvido nos últimos 30 anos! E parabéns a todos os educadores e equipe que se dedicam diariamente pra tornar esse sonho realidade!

E QUE VENHAM MAIS 30 ANOS!

Outras informações: www.casamateus.org.br

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Reflexões sobre o texto “A ida ao teatro” (Ingrid Dormien Koudela)

http://culturaecurriculo.fde.sp.gov.br/Administracao/Anexos/Documentos/420090630140316A%20ida%20ao%20teatro.pdf


O texto “A ida ao teatro” trás aspectos fundamentais a serem refletidos, discutidos e trabalhados nas escolas e nos dá exemplos práticos do produzir, apreciar e refletir o fazer artístico.
Ainda percebemos que muitas vezes ao propiciar aos alunos uma saída para o teatro os professores não estão preparados para efetuar um trabalho completo e significativo. É mesmo fundamental um conhecimento prévio do professor e um planejamento de atividades e discussões que acontecem antes, durante e depois do “passeio”. São excelentes as ideais de rodas de conversas, para debater e conhecer o que se vai assistir e o que irá acontecer no trajeto. Na volta ainda pode-se fazer rodas e debates, mas a representação simbólica através de desenhos é uma ferramenta de grande valor na qual geralmente a criança consegue se expressar bem, assim como na produção de texto. Todo esse trabalho, é claro, deve ser orientado pelo professor que deve conhecer o assunto e saber guiar o aluno. 

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Reflexão

Já faz um tempo que tenho alimentado uma vontade de pesquisar e aprofundar a relação entre pedagogia – prática teatral – pesquisa individual. O que quero dizer com isso?
Falo da importância do professor de teatro em se colocar constantemente na prática teatral impulsionando assim uma pesquisa pessoal. Essa reflexão surge da necessidade que percebo diante dos profissionais que atualmente orientam, instruem, focalizam uma aula, e é claro, defendendo a minha área, que é o teatro.
Ao acessar os sites propostos como pesquisa de aula, em especial os sites Percevejo e o da ECA, encontrei alguns trabalhos que me chamaram muito a atenção: Da Pedagogia do Ator à Pedagogia Teatral, verdade, urgência, movimento (Gilberto Icle), Ensino de Teatro e as Políticas de Formação Docente (Adilson Florentino e Luiz Eduardo Marques da Silva) e O mestre – encenador e o ator dramaturgo (Marcos Bulhões Martins). Percebo que me deparo cada vez mais com temas que poderiam resolver minhas duvidas, mas sempre acabo com mais estímulos de questionamentos, e menos respostas.
Foi através de vários caminhos diferentes que cheguei até a realidade de ensinar e aprender teatro, e acredito mais do que nunca, ser a arte que transforma o tempo todo, e que através de seu processo traz a tona as praticas de humanização. Não nego que é dessa forma que entendo o ensino do teatro, como aquele que questiona o respeito, a sociedade, a violência e transforma o cidadão, através da criatividade e do jogo teatral. Todo esse emaranhar de conhecimentos vão além de um espetáculo, onde há uma preocupação estética de produto final, mas de um processo que traga condições de criar instrumentos para uma encenação mais espontânea.
Questiono então, como seria a formação do “Professor” de teatro?
Não no que se refere ao estudo dentro do currículo elaborado nas Escolas de Teatro, mas sim ao que diz respeito a sua formação fora e depois delas. Como caracterizar e analisar?
Acredito na necessidade da pesquisa, para criação de novos instrumentos e linguagens que estimulem a investigação pessoal, trazendo desta forma, mudanças significativas para o ambiente pedagógico e dando condições para a existência de um debate mais rico e próximo de seu aluno. Não se trata de “ensinar” teatro aos alunos, mas de orientar um processo poético no qual se constitua mais um anseio de compreensão do fenômeno teatral, do que o acúmulo de técnicas.
A formação de professores de Teatro traz a tona todo um estudo de técnicas, de pensadores, de modelos pedagógicos, conteúdos, temas, que devem assumir no instante pós-formação, um novo significado que atravesse a reflexão de um autor para um professor que reconstruirá, questionará e promoverá reflexões diante de alguns saberes, aumentando o potencial critico, com qualidade, desse professor.
“A pedagogia do teatro e a encenação, quando caminham juntas com o enfoque da pesquisa, são responsáveis pelo avanço do teatro como ato cultural e como linguagem artística” (Marcos Bulhões Martins).

Nós como professores devemos entender que a prática cênica caminhando juntamente com a pedagogia, como investigação artística, só contribui para o aumento da competência dentro de nossa atuação em sala de aula.
Esse momento de reflexão esta sendo importantíssimo, pois através dele, eu tenho alimentado mais a vontade de aprofundar meus questionamentos, resultando talvez numa grande defesa de pesquisa pessoal.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

JOGOS TEATRAIS NO BRASIL - 30 ANOS

Teatro (JOGO) Educação




O presente post é fruto de uma reflexão a partir da leitura do Dossiê “Jogos Teatrais no Brasil – 30 anos”, feito por Ingrid Dormien Koudela e Robson Corrêa Camargo. Tal Dossiê foi apresentado no início de 2010 trazendo uma discussão a respeito da prática dos jogos teatrais propostos por Viola Spolin desde sua introdução no Brasil no fim da década de 70. Todo esse processo, que teve início com a dissertação de mestrado de Ingrid Koudela e sua tradução dos livros de Viola, vem instigando e provocando o interesse de muitos pesquisadores, educadores e artistas de teatro. Dessa forma fica clara a importância da chegada e apropriação desse método para o desenvolvimento tanto na área da educação como na da encenação brasileiras. No âmbito educacional, a contribuição dos jogos teatrais é imensurável. Antes do conhecimento dessa proposta, o pensamento pedagógico brasileiro utilizava o teatro apenas como ferramenta para desenvolver outras atividades e como meio de desenvolver aspectos psicológicos dos participantes. Como propõe Elliot Eisner, trata-se de uma proposta muito difundida na história da arte-educação em todas as suas linguagens, que traz uma abordagem “contextualista”, cuja ênfase está nas conseqüências instrumentais da arte na educação, em que cada participante ou grupo formulam seus objetivos para usarem tais ferramentas pautados em necessidades particulares. Em oposição a isso, Eisner propõe a abordagem “essencialista” do ensino de arte, que mostra a arte como um conhecimento em si mesmo, que não necessita de outros meios para se justificar enquanto componente do currículo escolar. É a ideia de educação através da arte. Por muito tempo, essa não foi a orientação na área de Teatro, como aponta Ingrid Koudela, “A concepção predominante em Teatro-Educação vê a criança como um organismo em desenvolvimento, cujas potencialidades se realizam desde que permitido a ela desenvolver-se em um ambiente aberto à experiência. O objetivo é a livre expressão da imaginação criativa. Na visão tradicional, o teatro tinha apenas a função de preparar o espetáculo, não cuidando de formar o indivíduo”.
[1]
O ensino de teatro na escola só se alterou com o sistema pedagógico e ideológico propostos pela Escola Nova. Tal modelo propôs ao educador ser não um “professor” (que professa suas verdades), mas sim um orientador, a auxiliar no desenvolvimento das potencialidades do indivíduo; a expressividade tomou o primeiro plano e atividades espontâneas, como o Teatro, ganharam espaço. A palavra de ordem era experimentação. Assim, passou-se a pensar no desenvolvimento da criança e do jovem como um todo, não apenas no seu intelecto, e pela primeira vez o teatro ganhou importância psicopedagógica na formação do sujeito. No entanto, objetivos educacionais amplos foram tomados como justificativa para o ensino de teatro: o discurso espontaneísta muitas vezes acabava por reduzir o ensino do teatro a questões comportamentais e psicológicas. Mais uma vez era preciso uma nova proposta metodológica para alterar o panorama do ensino de teatro no Brasil: uma abordagem que valorizasse o Teatro como forma de conhecimento em si mesmo.
E essa mudança decisiva se deu no fim dos anos 70, com a tradução do livro Improvisação para o Teatro e o conhecimento de Viola Spolin e seus jogos teatrais por Ingrid Koudela. A introdução desses jogos no âmbito educacional trouxe como principal contribuição a caracterização de objetivos específicos da área, não sendo mais o teatro subordinado a outros conhecimentos, mas trazendo habilidades próprias de sua linguagem. Como Ingrid pontua no Dossiê, “por meio das oficinas de jogos teatrais é possível construir liberdade dentro de regras estabelecidas por acordo grupal”
[2], escapando assim ao “espontaneísmo sem condução” já experimentado anteriormente no ensino do teatro. A importância do jogo na formação da criança já fora discutida por Piaget a partir da gênese do jogo no desenvolvimento infantil: jogos sensório-motores (crianças até 2 anos), jogos simbólicos (2 a 5 anos) e jogos de regras (a partir de 6 ou 7 anos). Na área teatral, Peter Slade também já apontava o jogo como instrumento de educação ao promover a discussão entre drama (jogo dramático infantil) e teatro (espetáculo). Com a proposta de jogos teatrais, Viola Spolin propõe uma metodologia do ensino de teatro que absorve tais propostas e as amplia, trazendo o teatro com um processo formativo em si mesmo que, por conseqüência da aquisição da linguagem, contribui na formação psico-motora, cultural e social do participante. O jogo busca a conquista da habilidade do processo, a valorização da experiência, e não do produto final.
“De acordo com a pesquisadora norte-americana Viola Spolin, o teatro deve ser trabalhado a partir de um sistema de jogos que permita aos alunos a corporificação, por meio de ações físicas, da representação. Jogar em teatro implica colocar o aluno numa situação lúdica em que ele precise solucionar um problema cênico. Existem regras as quais ele deve seguir e objetivos que devem alcançar. Os alunos / jogadores interagem ora jogando, ora assistindo. Desse modo, é possível desenvolver ainda um senso crítico, além do senso estético, e o aprendizado torna-se prazeroso e independente”.
[3]
Uma das propostas de Viola Spolin é teatralizar jogos tradicionais infantis, de modo a enfatizar aspectos teatrais nas atividades lúdicas. Assim, utilizando-se da estrutura fundamental do sistema de jogos teatrais (Foco, Instrução, Platéia e Avaliação) é possível promover atividades teatrais espontâneas e improvisadas pelo uso do jogo tradicional infantil passando, gradativamente, ao jogo teatral. Aí a pesquisadora norte-americana propõe ainda algo que ainda não havia aparecido em Piaget ou Slade: a relação entre quem joga e quem assiste. Nos jogos teatrais os alunos se revezam em todos os papéis envolvidos: jogadores e platéia (essa participando ativamente da proposta cênica). Dessa forma, o aprendizado artístico se dá como produção de conhecimento dentro da abordagem triangular de Ana Mae Barbosa: em um só jogo é possível fazer, apreciar e contextualizar.

“Importante meio de comunicação e expressão que articula aspectos plásticos, audiovisuais, musicais e linguísticos em sua especificidade estética, o teatro passou a ser reconhecido como forma de conhecimento capaz de mobilizar, coordenando-as, as dimensões sensório-motora, simbólica, afetiva e cognitiva do educando, tornando-se útil na compreensão crítica da realidade humana culturalmente determinada.”
[4]

Tendo em vista a dimensão adquirida pelo Teatro no espaço da educação, é justa a lista de pesquisadores apontados pelo Dossiê de Ingrid Koudela que hoje se debruçam sobre o tema dos Jogos Teatrais. Sabemos que na prática das escolas brasileira ainda há muito a ser feito, mas a contínua pesquisa e formação dos educadores é o primeiro passo para termos um ensino de teatro de qualidade.
REFERÊNCIAS:
[1] Koudela, Ingrid D. Jogos Teatrais. São Paulo: Perspectiva, 1984. Pág 18.
[2] Koudela, Ingrid D. Apresentação do Dossiê Jogos Teatrais no Brasil: 30 anos. IN: Revista Fênix Vol. 7, Ano VII, nº 1. Pág. 7.
[3] SILVA, Keila Fonseca e. Por uma pedagogia dramática do corpo: jogo e encenação. IN: Revista Sala Preta. 2002, nº 2. Pág. 2.
[4] JAPIASSU, Ricardo. Metodologia do ensino de teatro. Campinas: Papirus, 2001. Pag. 22.

domingo, 29 de agosto de 2010

Por que ARTE-EDUCAÇÃO?


O termo ARTE-EDUCAÇÃO tem sido utilizado com frequência nos dias atuais; mas o que seria de fato a arte-educação? Um trabalho artístico no âmbito escolar? Ou a educação através da arte? Nesse caso, a arte seria então apenas uma ferramenta? Ela é sinônimo de entretenimento? Então por que incluí-la no currículo escolar? Qual a importância da arte na formação do educando?
Essas e muitas outras dúvidas pairam sobre a cabeça de muitos educadores, coordenadores e diretores, pais e alunos. Gostaria então de propor a discussão sobre alguns pontos para tentarmos refletir sobre essas inquietações...

Muitas das reclamações de alunos sobre a aula de Arte, ainda hoje, derivam da distorção de entendimento por parte dos professores acerca da função da arte na escola, e conseqüente abordagem pedagógica, como já colocado no post “Como você trabalha com arte? – Um panorama do ensino da Arte no Brasil”. Alguns professores insistem em abordar a arte como “aula de descanso”, como uma pausa entre as aulas “principais”. Acontece que houve um momento da história do ensino da arte que se caracterizou pela livre-expressão, pela espontaneidade e pela valorização do processo ao invés do produto final; a chamada ESCOLA NOVA. Acredito que foi a má interpretação dessa proposta que gerou uma confusão acerca da importância da arte na escola. Muitos professores confundiram o conceito de “livre expressão” com “pode tudo”, deixando os alunos soltos, sem direcionamento algum, e justificando tal postura pela não interrupção do fluxo criativo do aluno. Pura distorção! A ideia dos criadores dessa proposta pedagógica era colocar o professor como orientador, estimulador dos potenciais criativos dos alunos e, portanto, peça de fundamental presença para a adequação das atividades para cada aluno ou grupo. Outra conduta ainda comum nas aulas de arte dizem respeito à reprodução de imagens apenas, limitando a arte à cópia – volta-se assim à ESCOLA TRADICIONAL – ou ainda mostrando técnicas de desenho e pintura com manuais, como na ESCOLA TECNICISTA. Como veremos a proposta da Arte-educação é maior que isso…

Então passamos do conceito “Aula de Artes Plásticas” para “Arte-Educação”. Para começar, separemos as palavras. Comecemos pela segunda palavra: “Educação” nos lembra não apenas a escola, mas qualquer proposta de ensino-aprendizagem que vise a transformação. Em primeira instância, educar é transformar – a si mesmo e o outro. Assim, podemos incluir, além de escolas, ONGs, museus e quaisquer outros aparatos culturais que promovam essa “trans-formação” das pessoas. Mas como se daria essa transformação? A outra palavra presente no binômio nos dá essa pista: Arte. Há pouco tempo atrás, ter aula de arte significava ter aula de Educação Artística, que abordava exclusivamente conteúdos das artes visuais. Isso mudou. Atualmente, dentro desse contexto educacional, falamos em Arte enquanto quatro linguagens principais: Teatro, Dança, Música e Artes Visuais. Isso se deu pelo surgimento dos Parâmetros Curriculares Nacionais publicados em 1997, que se aplicam ao ensino regular das escolas no Brasil e, no entanto, influenciaram a maneira como se entende a arte-educação como um todo. Segundo tais parâmetros, todo aluno deve ter, juntamente com o ensino de disciplinas como português, matemática e ciências, o ensino de Artes. Dessa forma a Arte foi reconhecida como uma forma de conhecimento – é um instrumento em si, e não apenas uma ferramenta para auxiliar o ensino de outras matérias. Assim como a matemática tem os números como fundamento da sua área, a Arte também traz a especificidade de cada linguagem. Portanto, a proposta da Arte no currículo é importante porque busca justamente mostrar ao educando outra forma de conhecimento e interação com o mundo: o viés artístico. Ajusta-se aí a proposta triangular de Ana Mãe Barbosa para o ensino de Arte: fazer, apreciar e refletir.

Mas se é uma forma de conhecimento como as outras, então por que precisa da junção da palavra “educação”? Não se fala “Português-educação’, “Ciências-educação”,“Geografia-educação”… O fato é que ainda precisamos desse reforço para justificar a prática pedagógica na área de Arte, como pontua Ana Mae Barbosa:

"Como a matemática, a história e as ciências, a arte tem domínio, uma linguagem e uma história. Se constitui portanto, num campo de estudos específicos e não apenas em meia atividade [...] A arte-educação é epistemologia da arte e, portanto, é a investigação dos modos como se aprende arte na escola de 1° grau, 2° grau, na universidade e na intimidade dos ateliers. Talvez seja necessário para vencer o preconceito, sacrificarmos a própria expressão arte-educação que serviu para identificar uma posição e vanguarda do ensino da arte contra o oficialismo da educação artística dos anos setenta e oitenta. Eliminemos a designação arte-educação e passemos a falar diretamente de ensino da arte e aprendizagem da arte sem eufemismos, ensino que tem de ser conceitualmente revisto na escola fundamental, nas universidades, nas escolas profissionalizantes, nos museus, nos centros culturais a ser previsto nos projetos de politécnica que se anunciam. (1991: 6-7)

Como você trabalha com arte? - Um panorama do ensino da Arte no Brasil

Como você trabalha com arte na escola? Essa questão que parece tão simples guarda em si diversas inquietações dos educadores. Se observarmos a trajetória do ensino de arte no Brasil, veremos que diferentes propostas ocorrem simultaneamente, e com isso muitos educadores ainda hoje misturam diversas orientações didáticas e várias concepções de arte em suas práticas. E isso só favorece a confusão a respeito da importância da arte no ambiente escolar... Não, aula de artes não é descanso entre as outras disciplinas, distração, recreio, nem aula de fazer nada... Arte é um conhecimento! Mas esse é um conceito recente; voltemos ao começo...

Como mostram Ferraz e Fusari, uma primeira tendência que surgiu a respeito do ensino de arte foi a Idealista Liberal, cujo discurso era de que a educação, sozinha, poderia garantir a construção de uma sociedade mais igualitária. Dentro dessa tendência, surgiram várias propostas pedagógicas de ensino...

Na proposta da ESCOLA TRADICIONAL (anos 30) arte era sinônimo de “fazer”: o que realmente importava era o produto final, a reprodução de um modelo. Para começar, não existiam aulas de artes, e sim de Educação Artística. Nessa, priorizava-se apenas a linguagem das artes visuais (na época conhecida como artes plásticas). Só nos anos 50 música, canto orfeônico e trabalhos manuais se integram ao currículo. Teatro ocorria apenas nas festas de fim de ano ou em datas comemorativas. Ainda por volta dos anos 50/60, dissemina-se outra proposta iniciada nos anos 30 com John Dewey, Viktor Lowelfeld e Hebert Read que, inspirados em Piaget e Jung, fundam a ESCOLA NOVA. Sua proposta, em contraponto ao modelo tradicional, era de valorizar o processo do fazer artístico, estimulando a livre expressão (dado subjetivo e individual). Por volta dos anos 60 e 70, chega ao Brasil a proposta da ESCOLA TECNICISTA, que visava instrumentalizar o aluno para o mercado de trabalho, aliando assim os interesses da sociedade industrial. O behaviorismo de Skinner era a base psicológica utilizada, pautada na proposta de estudos dirigidos de forma mecânica e racional (uso de manuais). Instaura-se aí, por exemplo, a aula de Desenho Geométrico, colocando agora a arte como subordinada a outras disciplinas, como a matemática e as ciências.


Uma segunda vertente apontada por Ferraz e Fusari para o ensino das artes é a tendência Realista Progressista, momento em que se passa a discutir a importância da escola para a conscientização do povo. É a partir desse momento da história, por volta dos anos 60, que a arte começa a ser um pouco mais valorizada no ambiente escolar. Passando pela ESCOLA LIBERTADORA (com práticas não diretivas, cujo símbolo maior é Paulo Freire), e pela ESCOLA LIBERTÁRIA (cuja proposta era a autogestão e a autonomia), chegamos à proposta da ESCOLA CRÍTICO-SOCIAL DE CONTEÚDOS no fim da década de 70. Nessa ideia, buscava-se o meio termo: nem só a técnica, nem a livre expressão, mas um direcionamento a partir dos interesses reais de cada aluno ou grupo de estudantes, validando assim seus conteúdos acumulados e em produção em prol de sua participação social e exercício da cidadania. Já no fim do século XX surge a ESCOLA CONSTRUTIVISTA, cuja proposta mantém a reflexão da arte como objeto sociocultural e histórico, utilizando a Arte agora como forma de conhecimento em si, não apenas instrumento para outras disciplinas. Adota-se os três eixos de aprendizagem propostos na abordagem triangular de Ana Mãe Barbosa: o fazer artístico, a apreciação dos trabalhos (próprios e alheios) e a reflexão sobre tais objetos.


E foi justamente nesse momento histórico que se criou a LDB 9394/96 e se estabeleceu nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) a Arte como componente curricular obrigatório em suas quatro linguagens: artes visuais, música, dança e teatro. Assim, a Arte passou a ser reconhecida oficialmente enquanto forma de conhecimento, um SABER a que todos os educandos devem ter acesso. Mas será que isso de fato ocorre na escolas?

O essencial

O tempo e as jabuticabas


'Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo.
Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encantacom triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.'
O essencial faz a vida valer a pena.

Rubem Alves

sábado, 28 de agosto de 2010

Entendendo como funciona

Que legal foi fazer a animação, muita paciência...mas super divertido, vontade de realizar outros, não agora...mais pra frente...Ainda estou aprendendo como funciona isso tudo, nunca fui muito proxima da tecnologia e agora a coisa é na raça. Agora estou numa crise tremenda, como postar um vídeo nisso aqui...tenho que gravar onde hein ...para passar pra cá???? Me divirto e me estresso horrores.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Um ator foge do teatro para fechar-se na sua própria casa com seu secretário, perseguido pela presença que vagueia implorando aos atores para se comunicarem com ele para revelar o segredo de sua existência. 
Com Cacá Carvalho e Joana Levi.  Direção de Roberto Bacci. Dramaturgia de Stefano Geraci.

A peça acontece em São Bernardo do Campo, no Pavilhão Vera Cruz até o dia 29 de agosto.


O espaço conta também com uma exposição histórica de cada uma das peças que já foram encenadas pela associação do  grupo Casa Laboratório para as Artes do Teatro com a Fondazione Pontedera Teatro. 


Vale a pena conferir!


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Animação-Stop motion

Animação desenvolvida pelo grupo Camila, Marcela e Viviane para o módulo Linguagens das Mídias Digitais.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

19 de Agosto - Dia do Ator



NÓS FAZEMOS TEATRO

"Contra a ignorância, o terror, a falta de educação, a propaganda de promessas, o conforto moral, a ordem acima do progresso, a fome, a falta de dentes, a falta de amores, o obscurantismo... nós fazemos teatro. Fazemos teatro pra dar sentido às potencialidades, pra ocupar o tempo, pra desatolar o coração, pra provocar instintos, pra fertilizar razões, por uns trocados, por uma boa bisca, porque é fundamental e porque é inútil. Pra subir na vida, pra cair de quatro, pra se enganar e se conhecer... contra a experiência insatisfatória; contra a natureza, se for o caso, nós fazemos teatro.
Fazemos teatro pra não nos tornarmos ainda pior do que somos. Pra julgar publicamente os grandes massacres do espírito. Pra viabilizar a esperança humana, essa serpente...Nós fazemos teatro de manhã, de tarde e de noite. Nós somos uma convivência de emoções, 24 horas distribuindo máscaras e raízes. Nós fazemos teatro de tudo, o tempo todo, porque acreditamos que a vida pode ser tão expressiva quanto a obra e que devemos ter a chance de concebê-la e forni-la artisticamente. Porque estamos acordados. Porque sonhamos os nossos pesadelos. Nós fazemos teatro apesar daqueles que, por um motivo que só pode ser estúpido, estejam "contra" o teatro. Aliás, o que pode ser "contra" algo tão "a favor"? Nós fazemos teatro contra a mediocrização do pensamento; a desigualdade entre os iguais e a igualdade dos diferentes.
Nós fazemos teatro contra os privilégios dos assassinos de gravata, batina, jaqueta, toga, minissaia, vestido longo, farda, camiseta regata ou avental. Contra a uniformidade, nós fazemos teatro. Nós fazemos teatro contra o mau teatro que querem fazer da realidade. Nós fazemos teatro pra explicarmo-nos - ainda que mal - e ao mal de todos nós dar algum destino menos infeliz.
Nós fazemos teatro pra morrer de rir e pra morrer melhor. Pra entender o inestimável, se esfregar no infalível, resvalar na nobreza, experimentar as mais sórdidas baixezas, pra brincar de Deus... Nós fazemos teatro, comendo o pão que os Diabos amassam, os pratos feitos que as produções financiam e os jantares que as permutas permitem. Nós temos fome da fome do teatro. Porque onde houve e há teatro, houve e há civilização. Fazemos teatro sim, tem gente que não faz e está morrendo, essa é que é a verdade."

Fernando Bonassi

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mediação de Obras de Arte Contemporânea

Haegue Yang - Storage Piece, 2004

Mediação proposta pelo grupo 5 do curso de Linguagens da Arte-Turma 7

Nível 1
      1- O que vocês estão vendo?
      2- Quais objetos conseguem identificar?
      3- Como estão os objetos?
      4- Descreva esta imagem?
             Nível 2
5-             De que materiais foi feita a obra?
6-             Vocês reconhecem as formas desses objetos?
7-             Porque a obra foi organizada dessa forma?
8-             Ela é bidimensional ou tridimensional?
9-             Qual a dimensão da obra?
10-          Os objetos parecem leves ou pesados?
11-          Que tipo de trabalho é esse?
12-          Como ele foi feito?
            Nível 3
- Storage Piece, realizada por Haegue Yang, exposta pela primeira vez em 2004 no Lawrence O`Hanna Gallery, em Londres.
- Exposta no Brasil em 2006 na 27ª Bienal de São Paulo.
- O tema dessa Bienal foi: “Como viver junto”
- Na abertura da primeira exposição em 2004, dois artistas declamavam um texto, escrito pela própria artista e que abordava questões da obra. Essa leitura foi gravada e reproduzida em áudio durante toda a exposição.
13-          Conhecer o título da obra modificou seu olhar em relação a ela?
14-          Os objetos encontrados na obra dialogam entre si?
15-           Se tivesse sido fotografado de outro ponto de vista, a imagem teria ficado muito diferente?
16-          O espaço influencia no trabalho?
17-          A que outros espaços esses objetos poderiam ser levados?
18-          O tamanho ou a escala são todos importantes para esse trabalho?
19-          Você identifica alguma proposta temática nessa obra?
20-          O que o artista está querendo dizer?