"Precisamos levar a arte que hoje está circunscrita a um mundo socialmente limitado a se expandir, tornando-se patrimônio da maioria e elevando o nível de qualidade de vida da população." Ana Mae Barbosa
Somos Noses
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
30 anos do Centro Comunitário Casa Mateus
Oi pessoal!Hoje resolvi fazer um post diferente... quero fazer uma homenagem aos 30 anos do Centro Comunitário Casa Mateus.
Trata-se de uma ONG de Mauá-SP que atende por volta de 300 crianças e jovens de 7 a 15 anos em situação de vulnerabilidade social, oferecendo oficinas como canto-coral, flauta-doce, capoeira, informática, aprender a aprender e teatro.

Turma de Teatro 2008
" Nossa missão é promover junto à comunidade local o desenvolvimento de crianças, jovens e famílias em situação de risco social, estimulando e potencializando suas capacidades e dons para o pleno exercício da cidadania."
Equipe 2008
Parte da Equipe 2010
Parabéns CASA MATEUS pelo belo trabalho desenvolvido nos últimos 30 anos! E parabéns a todos os educadores e equipe que se dedicam diariamente pra tornar esse sonho realidade!
E QUE VENHAM MAIS 30 ANOS!
Outras informações: www.casamateus.org.br
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Reflexões sobre o texto “A ida ao teatro” (Ingrid Dormien Koudela)
http://culturaecurriculo.fde.sp.gov.br/Administracao/Anexos/Documentos/420090630140316A%20ida%20ao%20teatro.pdf
O texto “A ida ao teatro” trás aspectos fundamentais a serem refletidos, discutidos e trabalhados nas escolas e nos dá exemplos práticos do produzir, apreciar e refletir o fazer artístico.
Ainda percebemos que muitas vezes ao propiciar aos alunos uma saída para o teatro os professores não estão preparados para efetuar um trabalho completo e significativo. É mesmo fundamental um conhecimento prévio do professor e um planejamento de atividades e discussões que acontecem antes, durante e depois do “passeio”. São excelentes as ideais de rodas de conversas, para debater e conhecer o que se vai assistir e o que irá acontecer no trajeto. Na volta ainda pode-se fazer rodas e debates, mas a representação simbólica através de desenhos é uma ferramenta de grande valor na qual geralmente a criança consegue se expressar bem, assim como na produção de texto. Todo esse trabalho, é claro, deve ser orientado pelo professor que deve conhecer o assunto e saber guiar o aluno.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Reflexão
Já faz um tempo que tenho alimentado uma vontade de pesquisar e aprofundar a relação entre pedagogia – prática teatral – pesquisa individual. O que quero dizer com isso?
Falo da importância do professor de teatro em se colocar constantemente na prática teatral impulsionando assim uma pesquisa pessoal. Essa reflexão surge da necessidade que percebo diante dos profissionais que atualmente orientam, instruem, focalizam uma aula, e é claro, defendendo a minha área, que é o teatro.
Ao acessar os sites propostos como pesquisa de aula, em especial os sites Percevejo e o da ECA, encontrei alguns trabalhos que me chamaram muito a atenção: Da Pedagogia do Ator à Pedagogia Teatral, verdade, urgência, movimento (Gilberto Icle), Ensino de Teatro e as Políticas de Formação Docente (Adilson Florentino e Luiz Eduardo Marques da Silva) e O mestre – encenador e o ator dramaturgo (Marcos Bulhões Martins). Percebo que me deparo cada vez mais com temas que poderiam resolver minhas duvidas, mas sempre acabo com mais estímulos de questionamentos, e menos respostas.
Foi através de vários caminhos diferentes que cheguei até a realidade de ensinar e aprender teatro, e acredito mais do que nunca, ser a arte que transforma o tempo todo, e que através de seu processo traz a tona as praticas de humanização. Não nego que é dessa forma que entendo o ensino do teatro, como aquele que questiona o respeito, a sociedade, a violência e transforma o cidadão, através da criatividade e do jogo teatral. Todo esse emaranhar de conhecimentos vão além de um espetáculo, onde há uma preocupação estética de produto final, mas de um processo que traga condições de criar instrumentos para uma encenação mais espontânea.
Questiono então, como seria a formação do “Professor” de teatro?
Não no que se refere ao estudo dentro do currículo elaborado nas Escolas de Teatro, mas sim ao que diz respeito a sua formação fora e depois delas. Como caracterizar e analisar?
Acredito na necessidade da pesquisa, para criação de novos instrumentos e linguagens que estimulem a investigação pessoal, trazendo desta forma, mudanças significativas para o ambiente pedagógico e dando condições para a existência de um debate mais rico e próximo de seu aluno. Não se trata de “ensinar” teatro aos alunos, mas de orientar um processo poético no qual se constitua mais um anseio de compreensão do fenômeno teatral, do que o acúmulo de técnicas.
A formação de professores de Teatro traz a tona todo um estudo de técnicas, de pensadores, de modelos pedagógicos, conteúdos, temas, que devem assumir no instante pós-formação, um novo significado que atravesse a reflexão de um autor para um professor que reconstruirá, questionará e promoverá reflexões diante de alguns saberes, aumentando o potencial critico, com qualidade, desse professor.
“A pedagogia do teatro e a encenação, quando caminham juntas com o enfoque da pesquisa, são responsáveis pelo avanço do teatro como ato cultural e como linguagem artística” (Marcos Bulhões Martins).
Nós como professores devemos entender que a prática cênica caminhando juntamente com a pedagogia, como investigação artística, só contribui para o aumento da competência dentro de nossa atuação em sala de aula.
Esse momento de reflexão esta sendo importantíssimo, pois através dele, eu tenho alimentado mais a vontade de aprofundar meus questionamentos, resultando talvez numa grande defesa de pesquisa pessoal.
Falo da importância do professor de teatro em se colocar constantemente na prática teatral impulsionando assim uma pesquisa pessoal. Essa reflexão surge da necessidade que percebo diante dos profissionais que atualmente orientam, instruem, focalizam uma aula, e é claro, defendendo a minha área, que é o teatro.
Ao acessar os sites propostos como pesquisa de aula, em especial os sites Percevejo e o da ECA, encontrei alguns trabalhos que me chamaram muito a atenção: Da Pedagogia do Ator à Pedagogia Teatral, verdade, urgência, movimento (Gilberto Icle), Ensino de Teatro e as Políticas de Formação Docente (Adilson Florentino e Luiz Eduardo Marques da Silva) e O mestre – encenador e o ator dramaturgo (Marcos Bulhões Martins). Percebo que me deparo cada vez mais com temas que poderiam resolver minhas duvidas, mas sempre acabo com mais estímulos de questionamentos, e menos respostas.
Foi através de vários caminhos diferentes que cheguei até a realidade de ensinar e aprender teatro, e acredito mais do que nunca, ser a arte que transforma o tempo todo, e que através de seu processo traz a tona as praticas de humanização. Não nego que é dessa forma que entendo o ensino do teatro, como aquele que questiona o respeito, a sociedade, a violência e transforma o cidadão, através da criatividade e do jogo teatral. Todo esse emaranhar de conhecimentos vão além de um espetáculo, onde há uma preocupação estética de produto final, mas de um processo que traga condições de criar instrumentos para uma encenação mais espontânea.
Questiono então, como seria a formação do “Professor” de teatro?
Não no que se refere ao estudo dentro do currículo elaborado nas Escolas de Teatro, mas sim ao que diz respeito a sua formação fora e depois delas. Como caracterizar e analisar?
Acredito na necessidade da pesquisa, para criação de novos instrumentos e linguagens que estimulem a investigação pessoal, trazendo desta forma, mudanças significativas para o ambiente pedagógico e dando condições para a existência de um debate mais rico e próximo de seu aluno. Não se trata de “ensinar” teatro aos alunos, mas de orientar um processo poético no qual se constitua mais um anseio de compreensão do fenômeno teatral, do que o acúmulo de técnicas.
A formação de professores de Teatro traz a tona todo um estudo de técnicas, de pensadores, de modelos pedagógicos, conteúdos, temas, que devem assumir no instante pós-formação, um novo significado que atravesse a reflexão de um autor para um professor que reconstruirá, questionará e promoverá reflexões diante de alguns saberes, aumentando o potencial critico, com qualidade, desse professor.
“A pedagogia do teatro e a encenação, quando caminham juntas com o enfoque da pesquisa, são responsáveis pelo avanço do teatro como ato cultural e como linguagem artística” (Marcos Bulhões Martins).
Nós como professores devemos entender que a prática cênica caminhando juntamente com a pedagogia, como investigação artística, só contribui para o aumento da competência dentro de nossa atuação em sala de aula.
Esse momento de reflexão esta sendo importantíssimo, pois através dele, eu tenho alimentado mais a vontade de aprofundar meus questionamentos, resultando talvez numa grande defesa de pesquisa pessoal.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
JOGOS TEATRAIS NO BRASIL - 30 ANOS
Teatro (JOGO) Educação

O presente post é fruto de uma reflexão a partir da leitura do Dossiê “Jogos Teatrais no Brasil – 30 anos”, feito por Ingrid Dormien Koudela e Robson Corrêa Camargo. Tal Dossiê foi apresentado no início de 2010 trazendo uma discussão a respeito da prática dos jogos teatrais propostos por Viola Spolin desde sua introdução no Brasil no fim da década de 70. Todo esse processo, que teve início com a dissertação de mestrado de Ingrid Koudela e sua tradução dos livros de Viola, vem instigando e provocando o interesse de muitos pesquisadores, educadores e artistas de teatro. Dessa forma fica clara a importância da chegada e apropriação desse método para o desenvolvimento tanto na área da educação como na da encenação brasileiras. No âmbito educacional, a contribuição dos jogos teatrais é imensurável. Antes do conhecimento dessa proposta, o pensamento pedagógico brasileiro utilizava o teatro apenas como ferramenta para desenvolver outras atividades e como meio de desenvolver aspectos psicológicos dos participantes. Como propõe Elliot Eisner, trata-se de uma proposta muito difundida na história da arte-educação em todas as suas linguagens, que traz uma abordagem “contextualista”, cuja ênfase está nas conseqüências instrumentais da arte na educação, em que cada participante ou grupo formulam seus objetivos para usarem tais ferramentas pautados em necessidades particulares. Em oposição a isso, Eisner propõe a abordagem “essencialista” do ensino de arte, que mostra a arte como um conhecimento em si mesmo, que não necessita de outros meios para se justificar enquanto componente do currículo escolar. É a ideia de educação através da arte. Por muito tempo, essa não foi a orientação na área de Teatro, como aponta Ingrid Koudela, “A concepção predominante em Teatro-Educação vê a criança como um organismo em desenvolvimento, cujas potencialidades se realizam desde que permitido a ela desenvolver-se em um ambiente aberto à experiência. O objetivo é a livre expressão da imaginação criativa. Na visão tradicional, o teatro tinha apenas a função de preparar o espetáculo, não cuidando de formar o indivíduo”.[1]
O ensino de teatro na escola só se alterou com o sistema pedagógico e ideológico propostos pela Escola Nova. Tal modelo propôs ao educador ser não um “professor” (que professa suas verdades), mas sim um orientador, a auxiliar no desenvolvimento das potencialidades do indivíduo; a expressividade tomou o primeiro plano e atividades espontâneas, como o Teatro, ganharam espaço. A palavra de ordem era experimentação. Assim, passou-se a pensar no desenvolvimento da criança e do jovem como um todo, não apenas no seu intelecto, e pela primeira vez o teatro ganhou importância psicopedagógica na formação do sujeito. No entanto, objetivos educacionais amplos foram tomados como justificativa para o ensino de teatro: o discurso espontaneísta muitas vezes acabava por reduzir o ensino do teatro a questões comportamentais e psicológicas. Mais uma vez era preciso uma nova proposta metodológica para alterar o panorama do ensino de teatro no Brasil: uma abordagem que valorizasse o Teatro como forma de conhecimento em si mesmo.
E essa mudança decisiva se deu no fim dos anos 70, com a tradução do livro Improvisação para o Teatro e o conhecimento de Viola Spolin e seus jogos teatrais por Ingrid Koudela. A introdução desses jogos no âmbito educacional trouxe como principal contribuição a caracterização de objetivos específicos da área, não sendo mais o teatro subordinado a outros conhecimentos, mas trazendo habilidades próprias de sua linguagem. Como Ingrid pontua no Dossiê, “por meio das oficinas de jogos teatrais é possível construir liberdade dentro de regras estabelecidas por acordo grupal” [2], escapando assim ao “espontaneísmo sem condução” já experimentado anteriormente no ensino do teatro. A importância do jogo na formação da criança já fora discutida por Piaget a partir da gênese do jogo no desenvolvimento infantil: jogos sensório-motores (crianças até 2 anos), jogos simbólicos (2 a 5 anos) e jogos de regras (a partir de 6 ou 7 anos). Na área teatral, Peter Slade também já apontava o jogo como instrumento de educação ao promover a discussão entre drama (jogo dramático infantil) e teatro (espetáculo). Com a proposta de jogos teatrais, Viola Spolin propõe uma metodologia do ensino de teatro que absorve tais propostas e as amplia, trazendo o teatro com um processo formativo em si mesmo que, por conseqüência da aquisição da linguagem, contribui na formação psico-motora, cultural e social do participante. O jogo busca a conquista da habilidade do processo, a valorização da experiência, e não do produto final.
“De acordo com a pesquisadora norte-americana Viola Spolin, o teatro deve ser trabalhado a partir de um sistema de jogos que permita aos alunos a corporificação, por meio de ações físicas, da representação. Jogar em teatro implica colocar o aluno numa situação lúdica em que ele precise solucionar um problema cênico. Existem regras as quais ele deve seguir e objetivos que devem alcançar. Os alunos / jogadores interagem ora jogando, ora assistindo. Desse modo, é possível desenvolver ainda um senso crítico, além do senso estético, e o aprendizado torna-se prazeroso e independente”.[3]
Uma das propostas de Viola Spolin é teatralizar jogos tradicionais infantis, de modo a enfatizar aspectos teatrais nas atividades lúdicas. Assim, utilizando-se da estrutura fundamental do sistema de jogos teatrais (Foco, Instrução, Platéia e Avaliação) é possível promover atividades teatrais espontâneas e improvisadas pelo uso do jogo tradicional infantil passando, gradativamente, ao jogo teatral. Aí a pesquisadora norte-americana propõe ainda algo que ainda não havia aparecido em Piaget ou Slade: a relação entre quem joga e quem assiste. Nos jogos teatrais os alunos se revezam em todos os papéis envolvidos: jogadores e platéia (essa participando ativamente da proposta cênica). Dessa forma, o aprendizado artístico se dá como produção de conhecimento dentro da abordagem triangular de Ana Mae Barbosa: em um só jogo é possível fazer, apreciar e contextualizar.
“Importante meio de comunicação e expressão que articula aspectos plásticos, audiovisuais, musicais e linguísticos em sua especificidade estética, o teatro passou a ser reconhecido como forma de conhecimento capaz de mobilizar, coordenando-as, as dimensões sensório-motora, simbólica, afetiva e cognitiva do educando, tornando-se útil na compreensão crítica da realidade humana culturalmente determinada.” [4]
Tendo em vista a dimensão adquirida pelo Teatro no espaço da educação, é justa a lista de pesquisadores apontados pelo Dossiê de Ingrid Koudela que hoje se debruçam sobre o tema dos Jogos Teatrais. Sabemos que na prática das escolas brasileira ainda há muito a ser feito, mas a contínua pesquisa e formação dos educadores é o primeiro passo para termos um ensino de teatro de qualidade.
[1] Koudela, Ingrid D. Jogos Teatrais. São Paulo: Perspectiva, 1984. Pág 18.
[2] Koudela, Ingrid D. Apresentação do Dossiê Jogos Teatrais no Brasil: 30 anos. IN: Revista Fênix Vol. 7, Ano VII, nº 1. Pág. 7.
[3] SILVA, Keila Fonseca e. Por uma pedagogia dramática do corpo: jogo e encenação. IN: Revista Sala Preta. 2002, nº 2. Pág. 2.
[4] JAPIASSU, Ricardo. Metodologia do ensino de teatro. Campinas: Papirus, 2001. Pag. 22.
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